Cantor e Compositor Dominicano
«Valió la Pena»
Há nomes que não pedem monumento, pedem memória. Constanza, Maimón e Estero Hondo não são apenas lugares num mapa de 1959, tal como não o são os homens e as mulheres do 14 de Junio e da guerra de Abril: são a imagem de algo que se entregou sem garantia de regresso. Homens e mulheres que imaginaram, como diz a canção, «donde estás hoy, no estés», que aceitaram que o mel se lhes tornasse fel, para que outros, mais tarde, pudessem provar o que é doce.
Esta canção não canta a vitória, canta o custo. «Salir al sol con el dolor y la piel de cera» é uma imagem de corpos que já conheciam o sacrifício antes de dar o primeiro passo. Não é o heroísmo de estátua, é o heroísmo de carne queimada pelo sol e pela história.
E recorda-nos que eles e elas tinham um projeto de país: «echarse a cuestas el hogar para ser piedra y no cristal.» Quem escolhe ser pedra sabe que vai receber os golpes e não se partir, sabe que a sua função não é brilhar, mas sustentar. Foi isso que fizeram os que caíram em junho e em abril: carregaram a casa inteira, a pátria às costas, sabendo que o cristal se admira, mas a pedra constrói.
A canção não se detém no lamento. Procura despertar a consciência: «mírelos bien, no son uno más, no dejemos que mueran.» Aí está o verdadeiro perigo, não a morte física de 1959 ou 1965, mas o segundo esquecimento, o silêncio que os transforma em mais uma data do calendário. Por isso o final da canção quer ser mandamento e não apenas emoção: ser horizonte e não lugar, ser semente e não roseiral, ou seja, não se conformar em ser um sítio que se visita uma vez por ano, mas uma direção rumo à qual um povo continua a caminhar.
«Valió la Pena» não é uma conclusão cómoda. É uma afirmação que só se pode fazer em voz baixa, com respeito, sabendo que a resposta foi dada por eles com a sua vida, e que a nós só nos resta não a desperdiçar com o esquecimento.
— José Antonio
Imagina que Donde estás hoy, no estés. Que en lugar de miel Sientas sabor de hiel.
Imagínate Sin canción y el temor De no poder hablar Aunque tengas razón.
Imagínate No poder conjugar Versos que al final Rimen con libertad.
No poder contar De «hubo una vez que el mal» Creyó quitar las alas Y les enseñó a volar.
Valió la pena. Valió la pena. Salir al sol con el dolor Y la piel de cera.
Valió la pena. Valió la pena. Echarse a cuestas el hogar Para ser piedra y no cristal. Valió la pena.
Imagínate Sin nadie a quien dar gracias hoy. No querer mirar atrás Por miedo al qué dirán.
Imagínate No poder aplaudir Los hombres y mujeres De junio y abril.
Valió la pena. Valió la pena. Salir al sol con el dolor Y la piel de cera.
Valió la pena. Valió la pena.
Letra e música: José Antonio Rodríguez
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